"Por favor, um chocolate quente, várias cobertas, besteiras para comer, fones de ouvido, meu quarto e apenas a minha companhia comigo mesma."
É tudo que preciso em um dia desses. Em que a insistente e tinhosa saudade decide marcar seu território em nossos corações. É, ela mesma; Por alguns, temida; Por outros, adorada. Nos últimos meses essa mocinha resolveu bater à minha porta e se instalar como se já fosse de casa, aliás, acho que ela já é mesmo. Saudade de coisas, pessoas, momentos. Saudade do que fui, do que sou, do que quero ser. Saudade de pequenos gestos, sorrisos, carinhos. Saudade de enlouquecer e simplesmente fazer "o que me dá na veneta". Saudade do proibido, da aventura, da adrenalina. Afinal, qual o sabor da saudade? Talvez nem eu mesma saiba responder essa pergunta. Ou talvez a resposta seja "Fifty-Fifty". Hora gostosa, hora amarga. Hora um céu estrelado, hora cinzento prestes a desabar em chuva e escuridão, e bem em cima de você. Venho sentindo saudade de coisas que achei que não mais sentiria. Pessoas que pensei já ter deletado da minha vida. E sentimentos que por alguns são bem temidos. Percebo o quanto aquela velha e oportuna frase é verdadeira: "Como esquecer pessoas ou coisas que nos deram tantos momentos para serem lembrados?" Me pergunto isso quase toda noite. Como lidar com isso? Como não desabar naquele momento em que ela mais aperta e te esmaga por dentro? Perceber que a saudade não vem sozinha, vem acompanhada de um sentimento mais estranho que ela mesma, uma sensação maluca, como se "sua ficha caísse" e você percebesse que não é "simplesmente saudade". É saudade do que aquela pessoa um dia foi pra você, de como um dia ela foi com você. Ou daquilo que um dia representou muito em sua vida e você não mais tem em suas mãos. Palavras e frases no passado me assustam. Não gosto muito delas. Quantas vezes já desabei sozinha em meu quarto, olhando pra's estrelas e pedindo a Deus que tirasse toda essa angústia do meu coração?! Tantas que nem mesmo as pessoas mais próximas a mim sabem. Pode parecer auto destrutivo, mas não me sinto bem contando esse tipo de coisa para amigas, ainda que eu saiba e tenha plena certeza de que estarão comigo sempre. Sim, sou meia maluca (aliás, completamente. Quem não é, né?). Gosto de transmitir alegria para elas, gosto que me vejam sorrindo, ainda que nem sempre seja assim. E não, isso não é uma forma de querer passar uma "vida perfeita". Aliás, minha vida de perfeita não tem absolutamente nada. Tenho problemas e dores como qualquer outra garota/ser humano. Apenas gosto de mostrar que apesar dos pesares eu sou sim, extremamente feliz com o que tenho e com o que sou. Até porque, a dona saudade parece que adivinha e só resolve me pegar de jeito nos dias que já estou sensível por conta própria. Às vezes paro e sinto que não chega a ser "só saudade". Parece um esmagamento de coração com britadeira. (Por Priscilla Ferreira)

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